Ao justificar a atribuição do prémio, no valor de 6.000 euros, o júri salientou «a qualidade intelectual e artística» da poetisa, que «retoma o diálogo entre o Sul e o Norte europeu, que já era característico do poeta Hendrik de Vries».
Em declarações à Lusa, Joana Serrado salientou que o prémio lhe abriu as portas a uma bolsa artística para desenvolver o projecto, intitulado «Emparedada/ Uit de Muur», que resumiu como «dois títulos, duas casas, duas línguas que se vão construindo e destruindo na poesia».
Alguns dos poemas desse projecto «são em português, com tradução em neerlandês, outros vêm do neerlandês e vamos ver o que vai dar» - adiantou a poetisa filósofa.
O seu primeiro livro, «O Tratado de Botânica», que define como um «livro-poema», foi editado pela Quasi e ganhou uma menção honrosa no Prémio Daniel Faria (2006), instituído pela Câmara Municipal de Penafiel. Está agora a começar a ser traduzido para neerlandês.
Especialista em mística feminina medieval, licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Coimbra, onde trabalhou como assistente de investigação sobre escolástica conimbricense.
Joana Serrado está desde 2005 na Holanda a fazer um doutoramento «sobre outra Joana, uma cisterciense do séc. XVII que queria ser como Teresa de Ávila», com o qual espera poder contribuir «para a ressurreição da sua obra mística, visionária e teológica», segundo referiu à Lusa.
Recordando que Hendrik de Vries «era um poeta holandês que viveu em Espanha e um dia acordou a cantar em castelhano», Joana Serrado afirma que até a ela também «a poesia veio um dia em neerlandês».
Agora já declama poesia no Café Literário da Holanda e «os convites lentamente começam a surgir».
in Diário Digital
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